Sánchez sobre migrações. Espanha e UE foram atacadas em Ceuta e iliba Marrocos

Sánchez sobre migrações. Espanha e UE foram atacadas em Ceuta e iliba Marrocos

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, qualificou hoje a entrada em massa de pessoas em Ceuta como um ataque a Espanha e à Europa em que estiverem envolvidos Israel e EUA e descartou responsabilidades por parte de Marrocos.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Primeiro-ministro prepara-se para anunciar um pacote de 165 milhões de euros para Javier Soriano - AFP

O primeiro-ministro espanhal diz que continuam a ser investigadas a origem e as causas exatas do que ocorreu em 30 de julho no enclave espanhol de Ceuta, localizado no norte de África.

No entanto, pedro Sánchez diz que, para já, não há "nenhuma informação", por parte das forças de segurança nacionais e serviços de inteligência de Espanha ou outros, que responsabilize ou aponte para "a participação de uma forma ou outra" de Marrocos.

"Temos de ser conscientes de que esta crise só se vai poder resolver com a cooperação e não com a falta de confiança em Marrocos, que aquilo que faria seria agravar ainda mais a situação complexa que já temos em Ceuta", disse o líder do Governo de Espanha numa entrevista em Madrid à rádio Cadena Ser em que sublinhou a "cooperação instantânea" de Rabat neste caso.

"Continuamos a investigar [o que aconteceu em Ceuta no final de julho]. O Governo de Espanha tem de agir sobre dados, sobre factos certos", sublinhou Pedro Sánchez.

O primeiro-ministro reiterou que aquilo que as autoridades de Espanha sabem até agora é que "foi deturpada uma sentença do Tribunal Supremo" espanhol nas redes sociais sobre devolução de migrantes que cruzam ilegalmente uma fronteira a nado.

Essa desinformação foi aproveitada por "organizações criminosas" e os boatos e mentiras alastraram em redes sociais "associadas tanto à Rússia como Israel e a uma internacional de extrema-direita que usa sempre a migração não só para atacar Espanha como também a Europa", acrescentou, lembrando que os enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla têm as únicas fronteiras terrestres da União Europeia (UE) com África.

Pedro Sánchez fala em "desinformação" aproveitada por "organizações criminosas".

Pedro Sánchez considerou que Espanha e a UE sofrerem um "ataque híbrido" que usou a imigração e defendeu que a Europa deve e tem de ser sempre solidária, "em Lampedusa, na Gronelândia, em Ceuta ou nas Canárias", e lamentou as críticas e reações ao ocorrido em Ceuta de governos como o de Itália ou Dinamarca.

O primeiro-ministro reiterou ainda que o governo espanhol não teve qualquer informação nos dias anteriores à entrada de mais de 70.000 pessoas em Ceuta - onde a população residente ronda as 83.500 - que previsse "a magnitude da crise".

Segundo Sánchez, que aquilo que houve foram relatórios sobre um pico de tentativas de acesso à cidade a nado que levaram a reforços de meios de controlo da fronteira e de instalações de acolhimento de migrantes.

Das dezenas de milhares de pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta no final de julho, 5.000 permanecem na cidade e 1.200 são menores de idade, disse hoje Pedro Sánchez, que assegurou que previsivelmente a maioria será devolvida a Marrocos por não reunirem as condições para terem asilo.

Por outro lado, houve já mais de 100 deportações no último mês de pessoas que cometeram crimes, acrescentou.

Espanha anuncia pacote de 168 milhões para recuperar CeutaEntretanto, o Governo espanhol acaba de anunciar um pacote de emergência de cerca de 168 milhões de euros para apoiar a recuperação económica de Ceuta, depois da chegada em massa de migrantes à cidade autónoma. 

A medida deverá ser aprovada esta terça-feira em Conselho de Ministros.

O objetivo é revitalizar a economia local e reforçar os serviços públicos. 

Dos 168 milhões de euros previstos, 80 milhões deverão ser aplicados ainda este ano e outros 70 milhões já no próximo ano, segundo o jornal El País.

O pacote deverá complementar a futura ampliação do Plano de Desenvolvimento Integral Socioeconómico de Ceuta.

Pedro Sánchez diz que pacote finaneiro serve para relançar economia de ceuta.  


A decisão surge depois de o primeiro vice-presidente e ministro da Economia, Carlos Cuerpo, ter visitado a cidade esta semana e reunido com os setores mais afetados. 

O governante comprometeu-se a avançar rapidamente com medidas de apoio ao tecido produtivo.

Esta quinta-feira Sánchez vai estar esta quinta-feira no Parlamento espanhal a dar explicações sobre a crise migratória em ceuta.

Com agências

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